Segundo o sociólogo italiano
Renzo m. Grosselli, a Expedição de Pietro Tabachi, foi o primeiro
caso de partida em massa de imigrantes da região norte da
Itália para o Brasil. O nome da colônia criada no Espírito
Santo, pelo Governo Brasileiro, chamava-se Nova Trento, a
qual foi a primeira, de pelo menos 3 Nova Trento, fundadas
pelos trentinos em terras brasileiras.
Assim, podemos
dizer que Santa Cruz foi o berço da Imigração italiana no
Brasil.
A
primeira viagem de imigrantes aconteceu no dia 3 de janeiro
de 1874, às 13 horas, do Porto de Gênova, em um navio a vela,
o "La Sofia", na expedição Tabacchi, e a segunda
pelo "Rivadávia", ambos de bandeira francesa. O
"Sofia" chegou ao Brasil em fevereiro de 1874, 386
famílias, para as terras de Pietro Tabacchi, em Santa Cruz
.
Contudo, oficialmente,
a imigração teve início no Brasil com a chegada do navio "Rivadávia",
que aportou em 31 de maio de 1875, com 150 famílias italianas,
encaminhadas para Santa Leopoldina, de onde seguiram para
Timbuí e fundaram Santa Teresa, todas localidades situadas
no Estado do Espírito Santo.
Seguem-se a estes,
outros navios, de 1874 a 1894: "Mobely", "Itália",
"Werneck", "Oeste", "Izabella",
"Berlino", "Clementina", "Adria",
"Colúmbia", "Maria Pia", " Regina
Margherita", "Solferino", "Andréa Dória",
"Savona", "Citá de Genova", "Roma",
"Baltimore", "Savóia", "Pulcevere",
"Birmania", "Las Palmas", "La Valleja"
e finalmente, "Mateo Bruzzo", chegando com 528 famílias
em outubro de 1894.
Principais causas
da imigração
No princípio
do Século XIX ocorreram grandes modificações políticas e econômicas
na Europa. Terminada as guerras napoleônicas, o Congresso
de Viena - 1814/1815 - estabeleceu arbitrariamente novos estados,
formas de governo e alianças, sem escutar os povos a eles
submetidos.
Assim, a Itália
se viu dividida em sete Estados soberanos, surgindo, em consequência,
o ideal da unificação. Esta foi obtida apenas em 1870, graças
a Vitor Emanuel II, o Primeiro Ministro Cavour e o revolucionário
Giuseppe Garibaldi. Terminada a luta, o sonho de paz e prosperidade
foi substituído por uma dura realidade: batalhões de desempregados
e camponeses sem terras não tendo como alimentar a si nem
as suas famílias. A Revolução Industrial, com a advento das
máquinas, substituíra o trabalho do homem, com muito mais
lucro e perfeição.
A solução foi
emigrar em busca de novas terras não exploradas e ricas.
Núcleo
colonial de Santa Cruz (hoje parte é município de Ibiraçu)
Os primeiros
colonos para esse núcleo chegaram no navio Colúmbia, que aportou
em agosto de 1877. Os outros vieram nos navios "Izabella"
e "Clementina". Realizaram o mesmo itinerário do
grupo trazido por Pietro Tabacchi para Colônia Nova Trento,
ou seja, de Vitória para Santa Cruz, de vapor. Em seguida,
em canoas, subindo o rio Piraqueaçu até o Porto de Santana,
em Córrego Fundo e, dali, a pé, até a Fazendo do Morro das
Palmas. Daí, eram agasalhados em um barracão do tempo de Pietro
Tabacchi. (falecido em 21.6.1874).
Fim da imigração
Em 20 de julho
de 1895, o Governo Italiano proíbe terminantemente a emigração
para o Espírito Santo. Esta medida foi consequência do relatório
enviado pelo Consul da Itália neste Estado, apontando as dificuldades
que o imigrante era obrigado a suportar: má alimentação, abusos
da polícia e justiça incerta, insalubridade do clima, deficiência
de serviços médicos e escolares, demora excessiva na medição
dos lotes e divisão de terras, etc.
Autora:
Walewska Sant Anna Mori - www.graodeareia.com.br
Para saber mais
Este trabalho
foi resumido a partir dos seguintes livros/jornais:
A Tribuna - 31/5/1975
- Caderno Especial - 100 anos de presença italiana no Espírito
Santo.
A Expedição Tabacchi
e Colônia Nova Trento - Renzo M. Grosselli - Artgraf. Gráfica
e Editora Ltda. Março/1991.
Subsídios à História
da Imigração Italiana nos Municípios de Ibiraçu e João Neiva
- Lucílio da Rocha Ribeiro - Artgraf. Gráfica e Editora Ltda
. 1990
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