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Sexta-feira, 19 de Março de 2010
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Dieta: vocábulo de origem grega, significa estilo de vida. Quando ouvimos a palavra dieta imediatamente pensamos em privação, renúncia, quando na verdade em sua origem , o termo dieta expressa a ligação entre o homem e o seu território. No campo alimentar, existe uma tradição comum entre os países banhados pelo mar Mediterrâneo, composta dos mesmos alimentos produzidos nestes lugares. A tradição alimentar que caracteriza estes países recebe o nome de Dieta Mediterrânea.

Usa-se atribuir a descoberta da dieta mediterrânea ao médico norte-americano Ancel Keys, com o livro “How to eat well and stay well, the mediterranean way" (Como alimentar-se bem e sentir-se bem, à maneira mediterrânea). Ao desembarcar em Salerno (no sudoeste italiano, próximo à Costa Amalfitana), em 1945, Keys constatou que as doenças cardiovasculares, tão comuns em seu país, ali eram muito reduzidas. Além disso, as "doenças do progresso" (arteriosclerose, hipertensão, diabetes, doenças digestivas, obesidade, etc.) se manifestavam em um percentual muito baixo.

Na década de 50, Keys começou o já clássico estudo dos sete países (Seven countries) no qual classificou muitas dúvidas sobre a diferente distribuição da doença coronária e sua relação com o modelo dietético. Entre 1958 e 1964, analisou alguns fatores de risco cardiovascular em 13.000 homens de 40 a 59 anos distribuídos em 16 regiões pertencentes a 7 países: Finlândia, Estados Unidos, Japão, Holanda e três países mediterrâneos: Grécia, Itália e Iugoslávia.

Seu trabalho marcante foi a primeira grande pesquisa sobre a associação entre dieta e doenças cardíacas. Uma das descobertas mais intrigantes desse estudo foi que as pessoas que viviam em Creta, outras partes da Grécia e no sul da Itália tinham uma elevada expectativa de vida adulta e baixíssima incidência de doenças cardíacas e alguns tipos de câncer. O Seven Contries Study certamente levantou a possibilidade de que a dieta mediterrânea poderia proporcionar boa saúde e vida longa.

Recentemente, no dia 15 de julho de 2004, o Presidente da República Italiana, Massimo d’Azeglio Ciampi concedeu ao grande fisiologista americano um prêmio à Saúde Pública, simbolizado por uma medalha de prata, que foi entregue a um seu representante visto que, no auge dos seus 100 anos, Ancel Keys não pode realizar deslocamentos prolongados. Não seria exagerado concluir que a sua longevidade e também de sua esposa, com atualmente 95 anos, possa ser atribuída em grande parte à adoção da Dieta Mediterrânea. De 1963 a 2000 a família Keys, viveu 6 meses por ano em Pioppi, um pequeno vilarejo de 400 habitantes na Região Campania, no sul da Itália. É neste local que encontra-se o Palazzo Vinciprova, construído no século XVIII e que atualmente hospeda o Museu do Mar e o único Museo da Dieta Mediterrânea na Itália, inaugurado em abril desse ano. Carmine Battipede, diretor do museu, se empolga ao falar da Dieta Mediterrânea e corrige "Regime? Não senhor, BEM-ESTAR!" ; não é por acaso que à entrada do Museu se lê um cartaz com os dizeres "La cultura del mangiar sano e del vivere insieme" (a cultura da comida saudável e de compartilhar a vida).

Ancel Keys, elegeu de fato uma região abençoada pelos deuses: rica de história, de tradiçao gastronômica e de belíssimas paisagens. Vale lembrar que Salerno, a aproximadamente 90 kilômetros de distância de Pollica (município onde se localiza Pioppi) era a sede da famosa Escola Médica Salernitana que já na Idade Média preconizava: "Que o alimento seja a tua medicina e que a medicina seja o teu alimento".

 
 
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