| Saborosas e benéficas
à saúde, as frutas são alimentos indispensáveis
para a cultura mediterrânea. Mesmo assim e apesar da
ampla diversidade da flora nacional, o brasileiro consome
poucas frutas. Seu consumo maior é nas regiões
mais quentes do país.
De acordo com duas pesquisas de orçamento
familiar (POFs), realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), entre 1988 e 1996, houve um decréscimo
de 3,2% para 3% na participação do grupo de
frutas e sucos naturais em relação à
disponibilidade total de energia consumida.
Esse percentual, assim como a diminuição
do gasto com legumes e outros vegetais (de 0,6% para 0,5%),
está muito aquém do limite mínimo de
7% recomendado para esses grupos de alimentos.
Uma das razões para esse baixo consumo é o aumento
do comércio de alimentos industrializados, ricos em
gordura, sal e açúcar e pobres em micro-nutrientes.
O baixo consumo é lamentável, pois
o Brasil apresenta uma grande diversidade de frutas ofertadas
durante todo o ano. Elas se caracterizam pela natureza geralmente
polposa, aroma próprio, são ricas em açúcares
solúveis e de sabor doce e podem ser comidas sem a
necessidade de preparo culinário.
Os sucos são boas fontes de fibras alimentares,
principalmente se não forem coados ou peneirados. A
utilização integral dos componentes das frutas
pode garantir o acesso a minerais, vitaminas e fibras. Os
profissionais de saúde recomendam que se opte pelos
sucos naturais no lugar dos industrializados. Além
de perderem vários nutrientes, os sucos industrializados
são ricos em açúcar e calorias e contêm
conservantes e corantes.
O ideal é que o consumo de frutas aconteça
associado ao de verduras e legumes, em pelo menos cinco porções
diárias. Cada um de seus nutrientes desempenha função
essencial para o pleno desenvolvimento e metabolismo do organismo.
Um fator importante é que os benefícios
da dieta se produzem quando esta forma de alimentação
é seguida em sua totalidade, sem excluir um ou alguns
de seus elementos, e os cientistas se perguntam o motivo.
Hu, que escreveu na revista um artigo que acompanha o relatório
dos pesquisadores gregos, ressalta que há duas possíveis
explicações para isso. A primeira é que
os efeitos de cada grupo alimentar sejam muito pequenos para
ter um impacto significativo de forma individual, ou que há
efeitos sinérgicos entre os componentes da dieta.
Nos hábitos de alimentação
mediterrâneos, cerca de 40% das calorias procedem de
gorduras consideradas "saudáveis", como o
azeite de oliva e o peixe, e pelo menos 50% de carboidratos
complexos, procedentes de cereais integrais, frutas e legumes.
Outro fator muito importante é a
atividade física. A pesquisa também chegou à
conclusão de que a realização de uma
hora de exercício intenso diário contribui para
aumentar ainda mais os benefícios da dieta mediterrânea,
já que o risco de mortalidade apresentado pelos voluntários
foi 28% menor.
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