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15/07/2008 - I VITELLONI
Muito já se disse e se escreveu sobre o filme "Os Boas-Vidas", considerado a primeira obra de grande importância na filmografia de Federico Fellini. Mas, nunca é demais relembrar desse drama realizado em 1953 pelo gênio da sétima arte universal, visto que ela ainda se mantém atual e cheia de referências para podermos compreender melhor o nosso tempo. Caso tudo isso igualmente não seja uma tese suficientemente irrefutável para se falar dela, temos também a doce e saudosa presença de um dos maiores atores do século XX: Alberto Sordi.

Então, vamos à película. Tudo acontece numa pequena cidade litorânea da costa italiana. Cinco jovens amigos, filhos de famílias abastadas, vivem na boemia, regados a bebidas e mulheres. Sem perspectivas futuras, cada um encontra um modo de escapar da monotonia de seus dias medíocres naquela província tentando aproveitar e curtir as aventuras que esse mundo os reserva. Como o título original bem estampa, esses camaradas são uns típicos vitelloni (inúteis, em bom português).

"Os Boas-Vidas", através de imagens filmadas em preto e branco, nos mostra a busca incessante pelo prazer e o caráter hedonístico inserido naquela realidade. Este é o tema principal que faz movimentar o enredo desse longa-metragem que pavimentou o nome de Fellini no cenário internacional.

Além de tudo isso, temos ainda a belíssima música de Nino Rota e um maravilhoso elenco, com destaque para o inesquecível Alberto Sordi (Abismo de Um Sonho), Franco Interlenghi (Vítimas da Tormenta) e Riccardo Fellini, irmão do cineasta, Franco Fabrizi, Leopoldo Trieste, Leonora Ruffo, Jean Brochard, Claude Farell, Carlo Romano e Enrico Viarisio.

Produzido pela França e pela Itália, este drama de 104 minutos, cujo título em inglês (Spivs) significa "Os parasitas", acima de tudo é um retrato do que estava reservado para Fellini, caso viesse a permanecer em Rimini, sua cidade-natal. Isto é, uma vida entediante e prosaica. Resolveu fugir da mediocridade e desta maneira o cinema acabou ganhando um genial diretor. Vencedor do Leão de Prata em Veneza e indicado ao Oscar de Roteiro Original, serviu de inspiração para "Caminhos Perigosos", de Martin Scorsese, e para muitos outros filmes.

Como muitos estudiosos afirmam, "I Vitelloni" foi o primeiro filme claramente autobiográfico de Fellini, que se retrata na figura de Moraldo (Interlenghi é o astro de Sciusciá), que mais tarde deixaria a cidade de Rimini para se tornar jornalista em Roma. A obra marcou época, ao fazer um retrato poético e carinhoso dos desiludidos jovens do pós-guerra. O filme valoriza o bem viver através de uma minuciosa crônica de costumes, sendo difícil não se identificar com os protagonistas, principalmente se você nasceu numa cidade do interior do Brasil. O filme já começa num concurso de beleza, quando a vencedora, irmã de Moraldo, confessa grávida e é obrigada a se casar com o amigo dele, Fausto.

Apesar de tudo ser feito para se fugir do tédio de uma pequena cidade, o filme mostra que o mundo dos compromissos e da ordem (no caso o casamento do personagem principal) é inevitável.

Sordi
Em épocas onde o Supremo "é quem manda, falou ta falado não, tem discussão", peço vênia para homenagear um ator de verdade: íntegro, ético e leal à sua virtude de representar.

Após uma carreira de 60 anos e mais de 150 filmes, Alberto Sordi morreu em 24 de fevereiro de 2003. Com o seu desaparecimento, mais um ícone da fase de ouro do cinema italiano se foi, juntando-se a Marcello Mastroianni e Vittorio Gassman. Ele formava com os dois um trio dos mais populares e talentosos atores da Itália. A exemplo de Gassman e Mastroianni, Sordi seduziu com seu talento várias gerações de cinéfilos, admiradores da sua capacidade de transformar cenas comuns em momentos mágicos do cinema, criando personagens de comédia e de drama com a mesma autenticidade com que mantinha as suas duas marcas registradas: um sorriso aberto imenso e uma voz metálica inconfundível.

Um dos mais famosos artistas italianos, conhecido como Albertone e intérprete de diversas comédias de sucesso, soube interpretar o sentimento dos italianos, sobretudo nos momentos mais difíceis e duros. Sordi sempre se baseou nos vícios e nas virtudes de seus conterrâneos, em mais de 150 filmes que participou e 20 que dirigiu. É impossível pensar em comédia italiana sem pensar em Sordi, que conjugava no mesmo personagem drama e comédia de forma comovente. O ator nasceu em Roma, e alguns de seus filmes de maior sucesso têm como cenário a capital italiana.

O filme que o lançou para o sucesso foi "O Abismo de um Sonho" (Lo Sceicco Bianco), dirigido por Federico Fellini em 1952 e no qual o ator interpretava um galã de fotonovelas que tentava imitar Rodolfo Valentino.

Durante uma visita a Nova York, Sordi declarou que toda a sua técnica humorística foi inspirada no comediante Stan Laurel, da dupla "O Gordo e o Magro". Ator de grande versatilidade, Alberto Sordi representou com igual desenvoltura personagens cômicos e dramáticos. Em janeiro de 2002, Alberto Sordi recebeu o título honorífico de embaixador da cultura italiana no mundo. O ator faleceu aos 82 anos, em sua casa na cidade de Roma, vítima de complicações cardíacas. Ao lado de Totó, Alberto Sordi era um símbolo da comédia italiana nos cinemas.

Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o ator Alberto Sordi, um homem ético, digno e que nos deixa um legado de humor e honestidade.

Cartas para a redação!
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