O tríduo momesco acontecido há pouco instigou minha memória - após ser inundado de imagens de modelos e manequins de pouca fama e muitos glúteos - a buscar um nome que tivesse iniciado sua carreira pelas passarelas, porém se transformado em uma grande atriz. Veio à memória a beleza de Capucine, uma francesa de raros filmes, contudo, de uma imensa e exótica beleza para a época, com talento e dignidade. Mas, a questão é como falar dela sem citar um filme italiano?
Aí surge Fellini e seu Satyricon! Baseado no livro homônimo escrito pelo autor romano Petrônio, no século I - Petronius, escritor romano, mestre na prosa da literatura latina e satirista notável. Na verdade, a história na telona é uma livre adaptação com fortes tintas surrealistas e com elementos lisérgico e psicodélico, cenário no qual a obra acontece. Fellinianamente, tem uma construção truncada, uma vez que a peça que a inspirou foi descoberta em fragmentos, gerando-lhe uma atmosfera onírica, como de um sonho descontínuo. O filme também é conhecido como Satyricon de Fellini ou Fellini - Satyricon. Pouco importa!
Produzida em 1969, a história narra ao longo de 128 minutos as aventuras e desventuras sentimentais de Encolpio e Ascilto pelo afeto de Gitão (Gitone), que, após ser vendido a um ator de teatro, é resgatado pelo. No entanto, o mancebo opta em ficar com Ascilto.
Abandonado, Encolpio é salvo do próprio suicídio por um abalo sísmico (hoje, mais do que nunca, presente em nossas vidas). É a partir deste fato que se inicia uma louca jornada, tendo como pano de fundo uma galeria de artes, onde conhece o poeta Eumolpo, e o acompanha até um festim licencioso com participação de várias pessoas e promovido por um aristocrata com pretensões artísticas. Este, por sua vez, despreza a própria esposa optando pela companhia de um mancebo.
Partindo desse cenário, podemos perceber as idiossincrasias do ser humana e as características desviantes, como pedofilia e antropofagia, além da presença do homossexualismo. Tudo é permitido; e as cenas acontecem ao mesmo tempo numa Babel cultural. Uma prova de fogo para os mais conservadores...
Na obra ora na berlinda, podemos perceber aventura, drama e comédia. Tudo traduzido numa uma crônica da vida na Roma antiga. O filme de Fellini reflete a respeito da sexualidade masculina e suas múltiplas variações. Observando bem a obra, notamos que alguns trechos abordam o homossexualismo e outras questões delicadas que envolvem a sexualidade humana. Espantando todos os preconceitos, Satyricon nos traz um momento de caos e promiscuidade vivido na década de 60 do século passado.
Ficha técnica
Direção: Federico Fellini; produção: Alberto Grimaldi; roteiro e argumento: Federico Fellini,
Bernardino Zapponi e Brunello Rondi; roteiro original: Petrônio; música: Tod Dockstader,
Ilhan Mimaroglu, Nino Rota (que saudade) e Andrew Rudin; direção de arte: Giorgio Giovannini e Luigi Scaccianoce; direção de fotografia: Giuseppe Rotunno; e montagem: Ruggero Mastroianni. Elenco: Martin Potter (Encolpio), Hiram Keller (Ascilto), Max Born (Gitone), Salvo Randone (Eumolpo), Mario Romagnoli (Trimalcione), Magali Noël (Fortunata), Capucine (Trifena), Alain Cuny (Lica), Fanfulla (Vernacchio), Danika La Loggia (Scintilla) e Giuseppe Sanvitale (Abinna).
Até que enfim, Capucine
A nossa mais que citada musa nasceu em Toulon, na França, no dia 6 de janeiro de 1928 sob o nome Germaine Lefebvre. A atriz cursou a Escola de Belas Artes em Paris. Um fotógrafo de moda se impressionou com a sua beleza e a transformou em uma modelo muito requisitada nas décadas de 50 e 60.
O cinema entrou em sua vida nos anos 50, através do filme Eterna Ilusão. Na década de 60, inevitavelmente, parou nos estúdios de Hollywood, contratada pela Columbia Pictures. Lá trabalhou com diretores importantes como King Vidor, George Cukor e Henry Hathaway. Que trinca, hein!?
Curiosamente, o sucesso mundial só chegou em 1963, ao participar do primeiro filme da trilogia A Pantera Cor-de-Rosa, de Blake Edwards, ao lado de Peter Sellers, David Niven e Claudia Cardinale. Outro famoso filme de sucesso da atriz e modelo foi Satyricon de Fellini, em 1971.
Germaine Lefebvre se suicidou, em 17 de março de 1990, projetando-se do 8º andar do edifício, onde vivia há mais de 20 anos, Lausanne (Suíça), cercada de muitos gatos, após crise de depressão e estresse.
Feito isto, o Blog quer saber a opinião de vocês, companheiros e companheiras de viagem, sobre o delicado tema do suicídio. A pessoa que o pratica é movida por uma incrível coragem ou uma profunda covardia?