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30/01/2008 - CIAO para chegadas e despedidas
Sabem por que a vida é fascinante sempre? Porque podemos aprender grandes coisas com pequenos eventos e idéias! Eu pensava na razão pela qual em italiano dizemos CIAO quando cumprimentamos uma pessoa ao chegar e, também, quando nos despedimos. Me perguntei como uma mesma saudação poderia servir para chegadas e partidas e continuar a ter o mesmo sentido. Só mesmo os italianos... como terá nascido esse jeito de sair como se estivessem chegando? Acredito que em nenhuma outra língua podemos usar a mesma expressão para situações tão antagônicas. Se alguém souber de alguma, por favor, esclareça!

Essa mania de querer conhecer a mecânica das coisas me fez lembrar que deveria ter estudado antropologia, sociologia, qualquer coisa que me fizesse entender melhor os usos e costumes. No final, seria mais fácil compreender as pessoas e seus tantos modos de ser. Penso que não foi por acaso que tirei da estante um livro comprado há mais de quatro anos. Ok! Mais um livro falando sobre as pessoas e suas histórias de amor. Dessa vez me enveredaria pelas perguntas: Por que repetimos padrões de comportamento quando nos apaixonamos, quando deixamos de amar ou deixam de nos amar? Porque uma vez descartados, nos tornarmos cruéis como jamais pensamos pudéssemos ser? Por que é sempre difícil dizer adeus?



Cansei de ler os clássicos e modernos que nos exortam do absoluto torpor no qual vivemos: o amor e as relações seguem a natureza e, por isso, se processam por meio de ciclos; assim como as estações, o inverno rigoroso chegará. Porém, quando nos deixamos seduzir, apaixonar, amar, não queremos nem pensar que um dia, fatalmente, nos veremos diante de uma caveira e teremos que enfrentá-la.


Saber que isso acontecerá, inexoravelmente, nos concede a opção de sofrer menos o luto pelo que deixou de ser. FRANCO LA CECLA, o autor do livro que tenho em mãos, antropólogo nascido em Palermo, escreveu um breve tratado sobre o tema: Lasciami - Ignoranza dei congedi (Deixa-me - Ignorância sobre despedidas - Ponte alle Grazie - www.ponteallegrazie.it).

Depois de muitos causos recolhidos e relatados, histórias que ouviu nas Américas e na Europa, e também aquelas que viveu pessoalmente conclui: "os amores errados, impossíveis, acabados não são doenças psíquicas que precisam ser curadas. Elas são a passagem necessária, o trabalho que fazemos na vida para reafirmar o valor de algo que nos empurre para além de nós mesmos e do óbvio, assim como dos outros e da sua obviedade. Ou melhor, os amores 'errados' são às vezes a verdadeira maneira de contrapor-se à pesada realidade de que nem sempre é fácil amar a diferença". (trad. livre)

Uauuuu! Se tivéssemos cristalizado esse conceito em nossos corações, conseguiríamos entender porque um dia o amor acabou ou por que ainda é tão difícil separar-se sem sofrimento ou crueldade? Não sei. Nosso autor nos lembra que por toda a vida somos submetidos a ritos de passagem que nos sinalizam que somos aceitos, que crescemos, que pertencemos a um grupo. Contudo, até hoje, não publicaram nenhum manual que nos ensine a morrer. Isso pode soar estranho, mas o fato é que a morte sempre nos assusta, não importa como e quando ela aconteça. A falta desses ritos pode ser a causa da nossa dificuldade em aceitar qualquer tipo de rompimento.

Vejam atentamente a foto que ilustra esse texto. Dizer adeus a um amor, um projeto, um trabalho pode ser a oportunidade de dizer alô para uma nova forma de amar ou um novo amor, um novo modo de ganhar dinheiro e tantas outras possibilidades que jamais nos permitimos sequer pensar.

Emocionemo-nos com o amor que vivemos no passado e no presente, colocando-o no seu devido lugar de importância em nossas vidas. Se o amor terminar, que possamos doer ou façamos doer o menos possível, em nome da nossa completa fragilidade diante da ignorância de aceitar que o inverno, para o nosso coração, acabou de chegar. Esse é um exercício de respeito e também um ato de amor. A primavera, seja lá o que tenha acontecido no último inverno, certamente vai chegar e, então, testemunharemos uma explosão de cores e beleza!
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